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E se desse para correr pelos Alpes austríacos sem sair do Brasil?
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E se desse para correr pelos Alpes austríacos sem sair do Brasil?

Em Treze Tílias, a Tirolês Trail Run transforma paisagens do interior catarinense em cenário para uma experiência única.

Éder Luiz

Éder Luiz

E se desse para correr pelos Alpes austríacos sem sair do Brasil?

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Imagine começar a correr ainda de madrugada.

O dia está clareando, o ar é frio e, aos poucos, a cidade vai ficando para trás. A estrada rural aparece, depois os campos verdes, uma pequena igreja, uma propriedade antiga, uma trilha no meio da natureza.

Em algum momento, talvez você pare por alguns segundos e pense:

“Eu estou mesmo em Santa Catarina?”

Está!

Mais precisamente em Treze Tílias, cidade conhecida como a mais austríaca do Brasil.

E é nesse cenário que, nos dias 12 e 13 de setembro, acontece a 6ª edição do Tirolês Trail Run (TTR), uma prova que há seis anos tenta fazer uma coisa um pouco diferente: transformar uma corrida de montanha em uma experiência que o atleta continue contando mesmo depois de cruzar a linha de chegada.

Mais de 300 corredores já confirmaram presença. Eles vêm de 65 cidades de seis estados brasileiros — Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Acre e Tocantins.

Uma corrida que nasceu de uma saudade

A história da TTR começa em um momento em que praticamente nenhuma corrida estava acontecendo. Era o segundo semestre de 2020. A pandemia havia interrompido provas, viagens, encontros e boa parte da rotina dos corredores.

Foi então que três amigos — Susana Battassini, Ricardo F. Massignani e Rafael Vargas — tiveram uma ideia. Se não dava para participar das grandes provas de trail running que admiravam, por que não criar uma?

Mas não queriam simplesmente organizar uma corrida.

Queriam recuperar aquilo que, para eles, fazia a corrida de montanha ser especial: o contato com a natureza, a autonomia, a superação, as conversas pelo caminho e, claro, a resenha depois da prova. Escolheram Treze Tílias.

Os caminhos já eram conhecidos. Eram os mesmos utilizados nos treinos longos de preparação para ultramaratonas. E havia ainda uma recompensa no final: uma cidade com arquitetura austríaca, comida típica, cerveja artesanal e gente disposta a receber quem chegava.

Na primeira edição, apenas 40 corredores convidados participaram. Era uma experiência pequena, quase entre amigos. Seis anos depois, a história cresceu.

O percurso é parte da história

Na TTR, o caminho não é apenas o lugar onde a corrida acontece.

Ele é parte da prova.

Dependendo da distância escolhida, o corredor pode passar pela Igreja da Linha Pinhal, pelo Haras Rancho Pedra d’Água, pelo Sítio Nono Sillo — cenário onde foi gravada a novela Ana Raio e Zé Trovão, por campos verdes que lembram os Alpes austríacos, pela Linha Babenberg, por uma antiga casa de madeira construída em 1942 por uma das primeiras famílias de imigrantes austríacos da região, além de trilhas, cascatas, capelas e propriedades rurais.

Em alguns trechos, a sensação de estar em outro lugar é ainda maior. Parte do percurso integra a Via Alpina, utilizada por ciclistas e caminhantes. É por isso que os organizadores costumam brincar que não é preciso atravessar o oceano para viver um pouco do Tirol. Basta chegar a Treze Tílias.

Quatro maneiras de viver a mesma experiência

A sexta edição terá quatro distâncias.

Tem quem vai querer encarar o desafio maior e vai poder partir para os 42,76 quilômetros do TTR-TB – Linha Três Barras, com 1.170 metros de altimetria positiva.

Há também os 29,69 quilômetros da TTR-VA – Via Alpina, com 840 metros de ganho de elevação.

Para quem prefere uma distância intermediária, a TTR-BB – Linha Babemberg terá 16,9 quilômetros e 480 metros de altimetria positiva.

E existe ainda a TTR-BL – Babenberg Light, com 10,82 quilômetros, pensada também para quem está começando a descobrir o trail running.

As largadas acontecem no domingo, dia 13 de setembro, com os 42K e 29K às 6h, os 17K às 7h e os 10K às 8h.

Só que a corrida não termina na linha de chegada

Talvez essa seja uma das coisas mais interessantes sobre a TTR. A prova começa nas trilhas, mas não termina nelas.

A chegada acontece na Praça Andreas Thaler, no centro de Treze Tílias. A arena fica aberta para que atletas, acompanhantes, moradores e visitantes compartilhem o mesmo espaço.

É ali que a corrida encontra a cidade.

E é justamente essa aproximação que está por trás de uma ideia maior dos organizadores: usar o esporte para apresentar Treze Tílias como destino de turismo esportivo. Porque cada atleta que chega traz alguém junto.

Alguém que precisa de hotel, café da manhã, almoço, jantar, transporte, compras, passeio. E talvez descubra uma cidade para a qual queira voltar.

Mais de mil pessoas devem passar pela arena

A expectativa da organização é receber mais de mil pessoas entre atletas e acompanhantes durante o fim de semana.

Os corredores chegam de diferentes regiões do país, mas encontram uma cidade pequena, com uma identidade muito particular e uma história diretamente ligada à imigração austríaca.

É aí que esporte e turismo se encontram.

Para a organização, o objetivo nunca foi transformar a TTR apenas em mais uma prova no calendário de trail running. Desde o início, a proposta é preservar o DNA da corrida de montanha e, ao mesmo tempo, mostrar que uma competição esportiva pode ajudar a movimentar toda uma cidade.

Hotéis, restaurantes, comércio, turismo, fornecedores e prestadores de serviço fazem parte dessa experiência.

Para saber mais siga: @tirolestrailrun


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